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  • 17 de Outubro
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TRUE FAKE METAL

Enquanto algumas bandas forçam uma autoafirmação em um estilo (seja ele qual for), há as que preferem simplesmente caçoar disso. Caso do Inkognitta, grupo paulista que está há nove anos em atividade e acaba de debutar em CD. Lançado numa parceria entre Balboa Discos e Pisces, “A Resposta dos Mais Fracos” traz 16 faixas contendo sarcasmo, hardcore, críticas e metal. Conversei com o carismático baixista Shamil (que reparte as letras com o vocalista Fabiano) que contestou o rótulo de “black metal de bermuda” que dei a eles de brincadeira. Na Vista 26, que acaba de sair, rolou uma amostra do papo, aqui ele segue na íntegra. Então, é só conferir!


Apesar de ter nove anos, demos e participações em coletâneas, só agora vocês lançaram o primeiro CD – que foi gravado entre 2006 e 2007. A quê se deve a demora?
Shamil: Sinceramente, porque somos muito enrolados! A formação mudou quando estava num momento que todos sempre disseram ser nosso melhor momento, isso atrapalhou muito, só nos restabelecemos depois de duas trocas de guitarristas. Gravamos o CD e assim que lançamos o Risada (guitarrista) saiu. É foda ter uma banda por tanto tempo e um som que nunca vai ser realmente cool!

Eu ia perguntar isso, vocês recém perderam um guitarrista e pelo que soube têm dois novos...
Shamil: Perdemos um, mas ganhamos dois.

Isso mudará algo no som?
Shamil: Toda mudança acaba influenciando, achamos que agora é realmente pra melhor. O Henrique e o XpedroX são ótimos instrumentistas, estão trazendo mais peso. Por incrível que pareça, mesmo tocando com a gente ambos são fãs de Dream Theater!

Gosto de brincar dizendo que o Inkognitta é uma banda de “black metal de bermuda”. E pra vocês: como vocês definem a sonoridade?
Shamil: A gente não se encaixa muito em nada então poderia usar algo tipo “metal chato” (risos), já usei muito “true fake metal”. Tá na cara que somos uma banda de punk/hardcore, por mais que tentemos colocar chifrinhos, a pegada e as “letrinhas de protesto” ainda estão lá, até as vinhetas a gente mantém (risos). Mas tem refrão punk, tem base thrash, tem ponte black metal e tudo mais que a gente gosta.

E os metaleiros típicos – sei lá, aqueles com corpse paint e cinto de bala – gostam?
Shamil: Cara, no MySpace tem muita banda de metal extremo que adiciona a gente, não sei se só pra xingar e depois esquecem ou se porque gostam! Já tocamos com um grupo de black metal e foi demais, a gente tava preocupado, mas na segunda música tinha nego fazendo air guitar malvadona. Foi lindo!

Na música “O Povo de Deus Saqueou o Inferno” há o sample da “menina pastora louca”, sucesso no YouTube. Vocês não têm medo de ela mandar uma praga ou, pior, pedir royalties?
Shamil: Tenho mais medo de um processo, isso sim, não dá pra confiar nesse “povo de Deus”! Se ficar vacilando, eles roubam até a coleção de Slayer do Diabo!

Quem faz as letras?
Shamil: As mais sérias, com um bom português, são do Fabiano, eu faço as mais escrachadas, acho que o CD é meio a meio.

Algumas, como “Faça A Coisa Certa”, caracterizam-se pelo sarcasmo. No geral, o quê querem passar com elas?
Shamil: Sempre gostei do sarcasmo, melhor que criticar o sistema é incomodar quem está do seu lado fazendo coisa errada e fingindo ser o que não é. Só pra constar, a letra de “Faça a Coisa Certa” foi escrita após eu ter visto um clipe da Christina Aguilera!

Em “Auto-promoção Libertária (O Teste do Sofá dos Tatuados Mais Legais da Cena)”, a ironia se volta ao cenário em que vocês estão inseridos. Houve alguma retaliação?
Shamil: Acho que ninguém a entendeu ainda, por isso não rolou, mas ela fala mal de toda nossa “cena”, tem umas linhas dessa música que têm até nome e sobrenome! Não há nada mais chato que um “sXe-vegan-comunista-punk-antitudo-pró-tudo” ativista virtual. O quê falta na “cena” são pessoas que ajam mesmo, na vida real! O mais legal dessa música são os amigos convidados, vocalistas de grandes bandas!

Como foi juntar esse time de sete vocalistas convidados e porquê a escolha deles?
Shamil: Rolou da melhor forma possível, chamamos os amigos. O Fabio (Paura) tava sempre pelo estúdio, o Gonta (Overlife Inc.) é um dos caras que eu mais admiro tanto na sua vida pessoal, quanto profissional e no hardcore. O Vinas (Unfaced) fez a nossa capa e é um dos melhores vocalistas que eu já vi, o Leandro (Fim do Silêncio) era meu companheiro no Ponto Final e no Don Vito & Seus Foguetes, o Thiago DJ (ex-CPL²) é uma figura essencial do rock paulista, o Túlio (DFC) é outro ser admirável pela trajetória e exemplo no crossover e, por fim, o Poney (Violator) é simplesmente o vocalista da melhor banda de thrash metal no Brasil atualmente! E todos são hoje “ultra-broders” do Inkognitta!

A música “A Resposta dos Mais Fracos” começa com um funk sampleado, de quem é a música e por que essa faixa deu nome ao disco?
Shamil: Eu tenho esse funk da época do Napster, eu tava procurando “funk proibidão” que era o veneno, todo mundo queria escutar, né... Aí achei esse com o nome de “Abertura dos Bailes”. A música deu nome ao disco porque é uma faixa que a gente gosta muito, fala sobre esse lance que a união dos “fracos” pode ser muito forte! Conseguir lançar esse CD mesmo é uma resposta de uma banda de fracotes que já fomos, e hoje fazemos cara de mal! E essa música ainda tem participação do nosso grande amigo Brunão, ex-vocalista do Lesto! e atualmente baixista do Galinha Preta!

Entre as 16 faixas, vocês gravaram covers de duas bandas que já acabaram: “Like a Gasoline Tank”, do trio psychobilly curitibano Os Catalépticos, e “Templo É Dinheiro”, dos paulistas Jello Viagra. Qual o motivo da escolha das duas?
Shamil: É uma singela homenagem porque essas bandas eram incríveis e, infelizmente, acabaram. Os Catalépticos eram tão bons que a gente tentou gravar o mais rápido que dava essa música – sem virar grind – e as duas versões têm exatamente o mesmo tempo. O Jello Viagra foi uma das melhores bandas que já tive o prazer de ver pessoalmente, o CD é foda e os shows eram incríveis. Acho que todos no Inkognitta amam essas duas bandas. Espero que vire tradição gravar pelo menos dois covers por CD, gosto disso!

E, aproveitando, quais são as principais influências do Inkognitta?
Shamil: Cada um de nós tem um gosto muito diferente, mas no geral somos fãs de Misfits, Pantera e Slayer! No nosso MySpace deixamos algumas bandas amigas e outras influências no Top, e juro que não é mentira ou pra fazer gracinha que Bob Marley e Shakira estão ali ao lado de Krisiun e Ratos de Porão, eu gosto de verdade, e muito de tudo isso!

Você além de tocar no Inkognitta tem o selo Balboa Discos, como vê o atual momento do mercado fonográfico?
Shamil: Não querendo ser “velho, chato, reclamão”, mas tá péssimo! Só vou continuar lançando CD porque alguém tem que fazer isso (risos). Dizer que vale a pena é mentira, tô esperando a Polysom voltar à ativa pra programar os futuros lançamentos.

Pois é, finalmente o Brasil voltará a ter uma fábrica de vinil. Será que o formato dará um gás?
Shamil: Eu só quero lançar vinil, hoje CD só vende pros poucos fãs e amigos que as bandas têm. Ainda mais a Balboa que não tem nenhum nome de grande porte, só lanço o que gosto! Então vamos deixar as cópias físicas em vinil em tiragens limitadas – to pensando em 300 no máximo – pra quem realmente gosta e o resto do pessoal que fique à vontade pra pegar na internet. Quando o site do selo ficar pronto, vou deixar tudo lá pra download!

Quais são os próximos planos?
Shamil: Tocar, porque 2009 foi um ano difícil pra música pesada em geral, tirando a grande quantidade de shows gringos e a muito bem sacada Travolta Extravaganza, não vi mais nada legal rolando! Vamos gravar um clipe e dessa vez lançar material novo mais rápido! Mas quem sabe ainda não um CD, talvez um 7” ou split com alguma banda mais famosa que a gente!


Contatos: (11) 7515-0699 e inkognitta@ig.com.br

Fotos: Mauricio Santana
Por. Ricardo Tibiu

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